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Anda esquecida e confusa? Podem ser os sintomas da menopausa chegando

Silvia Ruiz

11/09/2020 04h00

iStock

Perco meus óculos pela casa umas dez vezes ao dia. Quando encontro os óculos, perco o celular, mas aí já não me lembro mais onde deixei a chave do carro… Se você já passou dos 45 e está se identificando comigo, saiba que não está sozinha. Falei sobre isso no Instagram esta semana e choveram mensagens de mulheres que estão passando pela mesma coisa (me siga lá também @silviaruizmanga).

Estudos mostram que cerca de 60% das mulheres na meia idade reportam dificuldades de memória, concentração e outras questões ligadas à cognição. Vivemos o chamado "brain fog" em inglês, que ilustra como se nosso cérebro estivesse envolto em um nevoeiro.

Essas questões ligadas ao cérebro tem um pico quando a gente entra na perimenopausa, o período que pode começar vários anos antes menopausa (declarada quando ficamos 12 meses consecutivos sem menstruar). Os sintomas mais conhecidos e falados dessa fase, como calores e ganho de peso, podem ser até menos incômodos do que essa confusão mental que nossa cabeça enfrenta. Conversei com a médica Vânia Assaly, endocrinologista e especialista em medicina do Estilo de Vida para entender o que se passa nesse nosso "menocérebro".

Por que perdemos a memória e nos sentimos confusas?

Queda hormonal
O grande culpado desse impacto cerebral é o estrogênio, o hormônio feminino produzido nos ovários que entra em declínio na perimenopausa. "Nós, mulheres, temos uma perda hormonal mais precoce do que os homens. E o estrogênio tem um papel muito importante na vasodilatação, ou seja, na irrigação de sangue no cérebro. Com a queda dele, é como se a gente tivesse um jardim de flores no cérebro e uma mangueira que não chega até todas elas. Algumas vão morrer por falta de água", diz a médica.

Os hormônios também ajudam na produção de neurotransmissores como a serotonina. Então, além da confusão mental, podem surgir desânimo, irritação, depressão, tudo que é controlado no nosso cérebro.

Falta de sono
A queda do estrogênio também afeta a qualidade do sono, e aí vira uma tempestade perfeita. Noites mal dormidas com irrigação ineficiente do cérebro é uma combinação mortal para nossa memória e capacidade de aprendizado e de cognição. A gente passa o dia se sentindo fora de órbita se não dorme direito, né?

Sobrecarga de emocional e de tarefas
Essa é certamente uma das fases mais desafiadoras da nossa vida em termos emocionais e de demandas diárias. Não estou nem falando da demanda profissional. Aqui entram mais os cuidados com filhos adolescentes, que são fonte de muita dor de cabeça, muitas vezes somados com os pais idosos que acabam ficando dependentes da gente. Casamentos mais antigos nessa fase também podem sofrer um abalo com tantas transformações físicas e emocionais. Essas demandas custam muito caro

Como melhorar os sintomas?

A primeira solução, e a mais usada, para quem não tem contraindicação, é fazer uma reposição hormonal, como já falei por aqui. A ideia é justamente repor os homônios que nosso corpo está deixando de produzir na quantidade suficiente para fazer nosso cérebro funcionar como deveria. "As mulheres pensam em reposição para cuidar da libido e da pele, mas a questão da proteção cerebral e cognitiva é muito relevante. E é importante começar cedo", recomenda Vânia. Portanto, vale fazer um exame anual checando os níveis hormonais para verificar se entram em queda. Ou se começar a ter essa sensação de "nevoeiro cerebral", não deixe de procurar um médico

Alimentação e exercícios são essenciais. A gente sempre volta para isso, né? Se você chegou até aqui e ainda não começou a cuidar melhor da dieta e se mexer, taí mais um motivo. A sua cabeça agradece. "A mulher tem grande tendência a acumular gordura na região abdominal nessa fase, e a obesidade vai piorar a questão cerebral. É preciso ter o colesterol, a insulina e a glicemia no sangue sob controle, já que tudo isso afeta o sistema", diz Vânia. Ela recomenda tirar da dieta as frituras, o açúcar, alimentos refinados e reduzir os industrializados ao mínimo possível.

Cuide bem do sono, já dei dicas aqui de como ter um sono reparador se você estiver sofrendo com insônia também. Isso porque é durante o sono que nosso corpo faz uma espécie de "faxina" no cérebro.  O sistema glinfático é um sistema de drenagem com o qual o cérebro elimina os resíduos, e a ciência começa a estudar como isso ajuda a prevenir males como Alzheimer e demência. Portanto, dormir mal tem impactos muito sérios no médio e longo prazos.

Invista em caminhadas ao ar livre, vá para perto da natureza sempre que puder, coloque os pés na terra, faça meditação diariamente, ainda que por dez minutos.  Busque sensações de prazer (até o orgasmo tem um papel importante para proteger nossa mente). "O cérebro precisa estar conectado com essas sensações para funcionar plenamente. Estudos mostram que a meditação ajuda muito nesse processo também", diz Vânia.

Bora cuidar da gente, porque envelhecer tudo bem, mas sem perder a cabeça, né?

Sobre Autora

Silvia Ruiz é jornalista e trabalha com comunicação digital e PR. Durante mais de 15 anos atuou na cobertura de saúde, bem-estar e estilo de vida. É apaixonada por alimentação natural, meditação e práticas holísticas. Mãe do Tom, do Gabriel e da Myra, tem bem mais de 40 anos e está tentando aprender a viver bem na própria pele em qualquer idade.

Sobre o blog

O que é envelhecer hoje? Este é um espaço com informações para a geração que tem mais de 40 e não abre mão de viver uma vida plena e, principalmente, saudável, independentemente da idade. Aqui não falamos em “anti-aging”, e, sim, em “healthy aging”. Dicas de alimentação, beleza, atividade física, carreira e estilo de vida para quem busca ser “ageless”.

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