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É hora de acabar com regras para o corte de cabelo de mulheres mais velhas

Silvia Ruiz

07/06/2019 04h00

Crédito: Instagram / @carolinelabouchere e @juliaroberts

"Gostaria de saber se você já escreveu sobre corte de cabelo. Muita gente diz que depois dos 50, cortes curtos são mais apropriados". Recebi essa mensagem no meu Instagram (me segue lá também @silviaruizmanga) e resolvi compartilhar aqui algo que aconteceu comigo há algumas semanas. Sentada na cadeira do cabeleireiro conversando com ele sobre como seria o corte, me peguei tendo esse mesmo tipo de pensamento: "Franja não é para a sua idade, vai ficar ridícula…" Pensei mil vezes, enquanto o cabeleireiro me olhava com uma cara desafiadora: "e aí, vai ou não vai?".

Justo eu, que escrevo este blog chamado Ageless e vivo martelando aqui que não existe limite de idade para nada? Fechei os olhos e mandei passar a tesoura. É só um cabelo! Se não gostar, mudo de novo, oras! Mas essa pequena experiência me fez pensar sobre o quanto nós mesmas lá no fundo temos nossos preconceitos e principalmente condicionamentos que nos limitam em questões de idade. "Cabelo branco vai te deixar velha"; "Mulher não envelhece, fica loira"; "Cabelo comprido depois dos 50 não pode". E assim a gente vai propagando essas "verdades" que alguém inventou e a gente absorveu.

Crédito: Arquivo pessoal

E essa questão do cabelo acaba sendo um exemplo muito forte da questão do preconceito de idade, o tal etarismo, até porque faz parte da identidade feminina. Nós mulheres passamos anos e anos usando o cabelo para expressar nossa feminilidade. Então é natural que a gente comece a ficar confusa sobre ele quando ficamos mais velhas. E existe quase que uma pressão social para a gente "se adequar" à idade que tem.

Obviamente que existem questões práticas. O nosso cabelo não é mais o mesmo quando envelhecemos. Em geral os fios ficam mais finos, menos elásticos, mais ralos e mais secos. Por isso pode ser que um novo corte ajude a dar uma cara nova ao seu "novo" tipo de cabelo. Mas, ainda assim, isso não deveria ser impedimento para a gente fazer o que tiver vontade com nossa cabeleira!

"De fato as mulheres vão ficando com os cabelos mais finos e sensíveis, e isso pode ser um problema, por exemplo, para as que querem ter cabelos longos e loiros", diz Gabriel Deodato, cabeleireiro do Salão 1838, em São Paulo. Mas ainda assim você faz questão do look? Vai precisar investir mais em tratamentos e hidratação para ficar com os fios saudáveis –e não com aquela cara de estragados. Fora isso, vá ser loira e feliz!

Conhecido pelos cortes moderninhos, Gabriel diz que hoje não faltam clientes mais velhas buscando um look não convencional (aliás, foi ele o autor da minha temida franja), principalmente quando escolhem deixar de pintar (já falei sobre cuidados com os cabelos brancos aqui). "Claro que o cabelo branco envelhece, mas e daí? Se a mulher gosta e segura essa onda, um corte moderno pode deixa-la incrível", diz o cabeleireiro.

Algumas dicas do Gabriel para você ser feliz com o cabelo que quiser:

– Para ficarem com cara de saudável, os cabelos pedem mais hidratação. Pode ser em casa ou no salão. Eu, por exemplo, aplico uma máscara por 10 minutos pelo menos uma vez por semana, em casa mesmo.

– Se quiser cabelos longos, procure um corte em camadas. Isso ajuda a disfarçar os fios mais secos e dá mais volume ao cabelo que está mais ralo (meu caso, por exemplo)

– Cortes curtos podem ficar supermodernos, não precisa ficar com cara de vó. Com a ajuda de produtos como cremes de modelar e ceras, dá para criar um look bacana e mais desconstruído. E também assessórios, como brincos e colares podem deixar o visual mais moderno (veja que bacana o da Carolina Ferraz).

–  Não é só o corte, mas o styling que faz a diferença. Vale investir num baby liss, por exemplo, para criar ondas ou secar com mousse e dar umas amassadinhas com as mãos para dar volume e movimento.

– Luzes mais claras em volta do rosto ajudam a iluminar e dar leveza, rejuvenescem

– Se for fazer luzes, procure deixar mais longe da raiz para não ter que retocar muitas vezes, pois isso resseca muito o cabelo. No meu caso, faço somente a cada oito meses, mais ou menos. E faço retoques para cobrir os fios brancos que vão nascendo apenas na raiz com a cor do fundo do cabelo, mais escura e próxima da minha cor natural.

Como pode ver pelas fotos, não existe regra. Siga a sua vontade! Se não gostar, mude de novo! Você tem, sim, idade para isso!

Sobre Autora

Silvia Ruiz é jornalista e trabalha com comunicação digital e PR. Durante mais de 15 anos atuou na cobertura de saúde, bem-estar e estilo de vida. É apaixonada por alimentação natural, meditação e práticas holísticas. Mãe do Tom, do Gabriel e da Myra, tem bem mais de 40 anos e está tentando aprender a viver bem na própria pele em qualquer idade.

Sobre o blog

O que é envelhecer hoje? Este é um espaço com informações para a geração que tem mais de 40 e não abre mão de viver uma vida plena e, principalmente, saudável, independentemente da idade. Aqui não falamos em “anti-aging”, e, sim, em “healthy aging”. Dicas de alimentação, beleza, atividade física, carreira e estilo de vida para quem busca ser “ageless”.