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Como meditação mudou minha vida e como pode transformar a sua

Silvia Ruiz

19/04/2019 04h00

Crédito: iStock

Eu tinha 18 anos quando um livro de um mestre indiano caiu nas minhas mãos numa praia nas férias de verão. O título: Meditação, a Arte do Êxtase. Era uma espécie de guia explicando o que era meditação, como praticar etc. Eu jamais poderia imaginar o quanto aquele livro iria mudar minha vida. Entrei de cabeça na tal prática e um ano depois estava morando na Índia, onde fui beber na fonte do tal mestre e aprofundar a vivência que me tirou de crises de ansiedade e pânico com as quais eu convivia desde os 13 anos.

Trinta anos depois e já nem sei mais o que é viver sem ter a meditação como parte da minha rotina. Quem me acompanha no Instagram (me siga lá também @silviaruizmanga) sabe o quanto falo sobre isso, vivo recomendando: apenas faça. Apenas experimente, porque está aí uma coisa que não dá para explicar muito. A gente precisa vivenciar para sentir os benefícios

Se na época da minha incursão pela Índia meus parceiros de meditação eram a turma riponga de várias partes do mundo, hoje ela chegou ao mainstream que vai de Oprah Winfrey (que inclusive lançou um aplicativo de meditação em parceria com o médico indiano Deepak Chopra) e Gisele Bündchen ao CEO do Twitter, Jack Dorsey, que passou seu aniversário em um retiro no ano passado e compartilhou a experiência pela plataforma.

Por que tanta gente está aderindo? Porque dá resultado. Porque cada vez mais surgem evidências científicas que mostram que meditar tem um poder enorme sobre nosso bem-estar e nossa saúde física e mental. Hoje já está muito claro para a medicina moderna que não basta cuidar só do corpo, que precisamos combater o stress, uma das maiores causas dos nossos males hoje, e nada melhor do que meditar para isso.

A lista de benefícios é enorme:

  • Redução do estresse;
  • Controle da ansiedade;
  • Saúde emocional;
  • Autoconhecimento;
  • Aumento do foco e atenção;
  • Melhora do sono;
  • Ajuda no combate a dependências químicas;
  • Redução da pressão arterial;
  • Melhora do humor;
  • Auxilia na perda de peso.

Crédito: Arquivo pessoal

Mas não precisa acreditar em mim e nem nas evidências científicas. Faça um teste você mesmo. Proponho aqui uma experiência de 15 dias. Garanto que não vai se arrepender

A primeira coisa a entender: Meditação é a habilidade de estar totalmente presente, estar aqui e agora, completamente engajado com o que está fazendo. Daí vem o termo mindfullness (atenção plena). E existem muitas técnicas diferentes para se chegar a esse estado. É possível meditar, por exemplo, até mesmo picando vegetais para cozinhar. Isso mesmo. Com alguma prática, estando 100% presente nessa atividade, apenas cortando os alimentos, sem estar pensando no que vai fazer depois, no trabalho, em buscar as crianças na escola etc. Isso é meditação. Mas para chegar a esse ponto, sugiro primeiro criar prática seguindo uma rotina:

  1. Defina um momento do dia Reservar um tempo para a meditação é importante para conseguir criar uma rotina. Como tudo que é novo na vida, vai exigir disciplina. Eu gosto de fazer ao acordar. Em vez de pegar o celular e começar o dia checando mensagens, dedico 15 minutos à meditação.
  2. Defina um tempo para começar Alguns minutos fazem uma grande diferença. Sugiro começar com 10 minutos. Eu gosto de colocar um alarme suave no celular para me avisar quando o tempo acabar.
  3. Mantenha a frequência diária A constância é muito importante para você ver resultados. Aprender a meditar é como aprender uma nova habilidade. É como trabalhar um músculo que você não conhecia. Vai exigir repetição até ficar treinado.
  4. Defina um espaço e use roupas confortáveis Pode ser no quarto, num lugar ao ar livre, numa varanda. Mas defina que ali será o lugar da sua prática diária, para a mente se acostumar com o ambiente. Deixe o corpo livre com roupas confortáveis. Tire os sapatos. Se puder ter uma almofada própria para sentar confortavelmente em posição de índio, ótimo. Senão, até sentar no chão ou num tapete vai funcionar. Não complique muito!
  5. Apps podem ajudar. Usar um aplicativo como guia pode ajudá-lo a praticar. Existem vários aplicativos que podem guia-lo no processo, como: se, Vivo Meditação, VivaBem – Meditação e Mindfulness (app do UOL), Meditopia e os famosos Headspace, Calm , e 21-Day Meditation Experience (o app da Oprah com Deepak Chopra), esses três em ingês.
  6. Respire Observe o ar entrar e sair dos seus pulmões. Essa observação em si já é uma técnica meditativa.
  7. Não tente não pensar. Meditação não é sobre parar de pensar ou "controlar" a mente. Nem sobre pensar atentamente em algo. Pensamentos vão surgir, é natural, nossa mente é "barulhenta". Pensar é tão natural quanto respirar. Pratique observar esses pensamentos que virão, ou emoções e sensações. Observe eles surgirem. E então volte a se concentrar novamente na sua respiração. Isso vai se repetir centenas de vezes durante a prática. É normal! Isso é meditação!.
  8. Não exija perfeição Às vezes você vai se sentir menos presente, com mais pensamentos e distrações. É normal.  Não é sobre uma competição com você mesmo. O importante é a jornada, não o destino final. Só não desista. É questão de prática!

Aos poucos você vai perceber que pode entrar nesse mesmo estado meditativo em qualquer lugar. Num parque, na praia, num intervalo no trabalho, fazendo uma caminhada em que apenas perceba e fique atento a cada passo, aos sons a sua volta, aos cheiros. Meditação é a forma mais simples, barata e rápida de fazer uma transformação na vida. E aí, quer tentar?

Sobre Autora

Silvia Ruiz é jornalista e trabalha com comunicação digital e PR. Durante mais de 15 anos atuou na cobertura de saúde, bem-estar e estilo de vida. É apaixonada por alimentação natural, meditação e práticas holísticas. Mãe do Tom, do Gabriel e da Myra, tem bem mais de 40 anos e está tentando aprender a viver bem na própria pele em qualquer idade.

Sobre o blog

O que é envelhecer hoje? Este é um espaço com informações para a geração que tem mais de 40 e não abre mão de viver uma vida plena e, principalmente, saudável, independentemente da idade. Aqui não falamos em “anti-aging”, e, sim, em “healthy aging”. Dicas de alimentação, beleza, atividade física, carreira e estilo de vida para quem busca ser “ageless”.