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Nove maneiras de aumentar o desejo sexual após os 40

Silvia Ruiz

2015-03-20T19:04:00

15/03/2019 04h00

Crédito: iStock

"Eu sempre adorei sexo, era parte fundamental da minha vida. Mas de uns tempos para cá não sei onde foi parar meu desejo. Estou sempre inventando desculpas, não sei como trazê-la de volta. " Mariana, 46

"Fui mãe tarde, com 39 anos. Agora, com 45 e duas crianças em casa, sexo é a última coisa que passa pela minha cabeça; estou sempre cansada" Joana, 45

"Estou solteiro há dois anos e a real é que mesmo podendo sair com quem quiser, não sinto a mesma ´potencia´ de outros tempos. Seriam os hormônios?" Paulo, 53

Esses são apenas algumas mensagens que recebi no Instagram (me siga lá também @silviaruizmanga) de muitos que chegam pedindo para abordar esse assunto espinhoso por aqui. Eles mostram o quanto e perda da libido depois de uma certa idade é tão comum quanto tabu, um assunto difícil de falar abertamente (principalmente com o parceiro). E difícil de entender. As pessoas se questionam: o que houve? Por que comigo (imaginando que todos os amigos estão fazendo sexo selvagem cinco dias por semana)? Acabou para sempre? É culpa dos hormônios?

Por que a libido diminui?

A primeira coisa que a gente tem que lembrar é que nossa principal função na Terra é procriar e perpetuar a espécie, como qualquer outro animal. E a nossa libido tem tudo a ver com isso. O impulso sexual é controlado pelo sistema límbico, a parte mais "primitiva" do cérebro. Esse mesmo sistema está associado a várias funções, incluindo o olfato, as emoções, o toque, prazer. É nosso lado mais "animal", digamos assim. Na medida em que envelhecemos para a procriação, o corpo pode entender que esse impulso para o sexo não seja mais tão necessário (tá maluco, cérebro?). E por isso é super normal a libido cair.

O fato é que hoje nossa sensação de vitalidade está intimamente ligada a uma vida sexual ativa. Portanto, para quem passou dos 40, perder o desejo dá a sensação de ter chegado ao "fim da linha". E quem tem 50, ou até bem mais do que isso, hoje quer uma vida plena, que inclui diversão a dois (ou a três, sei lá). Mas trago duas boas notícias: não é só com você. E tem solução. Aliás, sexo depois dos 40 pode ser o melhor que você já teve, mas exige um certo empenho. Conversei com as especialistas Vânia Assaly, endocrinologista e nutróloga e uma das maiores especialistas em medicina preventiva do país e com Soraia Casanova, ginecologista e especialista em medicina do estilo de vida.

É culpa dos hormônios?

A primeira coisa que precisamos saber é que libido tem uma relação direta com nossos neurotransmissores. Os hormônios têm um papel nisso, é uma junção entre os dois (uma função neuro-hormonal), mas não é uma questão hormonal exclusivamente. "Vale a pena checar a situação da testosterona e outros hormônios. Mas nem sempre a solução será a suplementação de testosterona. Imaginar que tudo se resolve com hormônios é um erro", alerta Vânia.

Mas, sem dúvida, no caso das mulheres perto ou depois da menopausa, a falta de hormônios femininos pode causar secura vaginal, e quem vai querer saber de sexo desse jeito? Portanto sempre é importante checar a possibilidade de reposição hormonal e avaliar se é para o seu caso. "Também podemos usar a testosterona de maneira tópica na área vaginal para melhorar a lubiricação", diz Soraia. O isso de laser no local também vem sendo usado para melhorar o problema.

Recupere o lado sensorial

Como falamos, o sistema límbico que controla a libido é também nosso lado mais sensorial. Por isso vale a pena investir em odores, no toque, nos sabores. Não é papo furado falar em investir nessas coisas para dar aquela levantada no "clima": tudo isso é processado no mesmo ponto do cérebro.

1. Invista nos alimentos certos

Apesar de não existirem estudos que mostrem que alimentos tem o poder direto de aumentar a libido (afrodisíacos), alguns nutrientes podem ajudar em mecanismos relacionados ao desejo sexual. Alimentos com canela e pimenta caiena são ótimos para sensibilizar nosso sistema límbico (de novo, a fonte do nosso desejo no cérebro). Além disso, a pimenta contém capsaicina, que melhora a circulação e ajuda na ereção. Vegetais como couve flor e brócolis podem ter um papel no aumento natural da testosterona, bem como a castanha do Pará, mexilhões e ostras. O chocolate amargo (pelo menos 70% cacau) promove a liberação de feniletilamina, também conhecida como "hormônio da paixão".

2. Avalie o uso de suplementos naturais

Vânia e Soraia também dizem que alguns fitoterápicos também podem ajudar: Maca, Tribulus, Ginkgo biloba e Ginseng são alguns dos indicados. "Mas sempre consulte seu médico antes, especialmente se tomar alguma medicação de rotina, não é porque são naturais que podem ser tomados indiscriminadamente", diz Soraia. É importante saber que há estudos que indicam a eficácia de alguns deles e outros estão em andamento. Mas não são uma panaceia. Não adianta sair tomando suplementos achando que por si só isso vai resolver o problema. Mais uma vez, estamos falando aqui em nove coisas que, em conjunto, podem ajudar.

3. Aposte na aromaterapia

disse aqui que sou fã de óleos essenciais. E como o sistema límbico é altamente afetado pelo olfato, vale investir neles (pense no quanto é brochante chegar perto de um parceiro que cheire mal). Alguns que podem ser usados em difusor de aroma no quarto: canela, ylang ylang, patchouli, rosa, jamin, neroli. Você também pode aumentar ainda mais o estímulo sensorial pingando algumas gotas do óleo essencial (ou uma combinação dos que mais gostar dessa lista) em um pouco de óleo vegetal (de abacate, amêndoas ou semente de uva) e usar para uma massagem a dois (quem resiste a isso?).

4. Faça atividade física

Estar fisicamente ativo ajuda a aumentar os níveis de testosterona. Além disso, nos faz sentir mais dispostos, autoconfiantes. E ainda por cima ajuda a nos sentirmos melhor na nossa pele. Um corpo que não se mexe fica mais letárgico. Além disso a atividade física ativa nossa parte do cérebro que controla a serotonina e dopamina, que tem papel fundamental na questão do prazer.

5. Reduza o estresse

Equilibrar trabalho, cuidados com filhos pequenos ou adolescentes, administração de finanças pessoas e da casa etc., é uma baita fonte de stress. E o stress é um dos maiores assassinos de libido (e do ganho de peso e de uma série de doenças). Procure atividades que relaxem como meditação, Yoga, ou até mesmo respiração profunda várias vezes ao dia. É sério. Isso vai mudar sua vida como um todo.

6. Limite o consumo de álcool

Sim, tomar uns drinks dá aquela sensação de ficar soltinho e isso costuma ajudar na cama, não é? Por outro lado, abusar da bebida alcoólica deprime o sistema nervoso central e pode ter justamente o efeito contrário. Nos homens, o abuso vai resultar em problemas de ereção no longo prazo. Cientistas apontam que duas taças de vinho dão um up na libido (segundo estudo publicado no Journal of Sexual Medicine da Sociedade Internacional de Medicina Sexual). Mais do que isso não provocou maiores efeitos.

7. Cuide do seu sono

Falta de sono adequado atrapalha a produção de hormônios e afeta o sistema límbico. "Manter o ritmo biológico é muito importante", diz Vânia. "É preciso dormir bem, tomar sol e estar ao ar livre. Senão o corpo entra no modo de sobrevivência causado pelos stress e isso nos afasta do lado do prazer."

8. Saia da internet e cuide da relação

É um clichê falar isso, mas a verdade é que a maioria dos casais se esquece de cuidar da relação como deveria. Sabe aquela coisa de chegar em casa, cada um ir para um lado do sofá com o celular na mão mergulhado nas redes sociais? Segundo Vânia, isso tem um efeito direto na nossa libido. "Mais uma vez, a parte sensorial, o olhar para o outro, o toque, o beijo, isso tudo fica de lado. E a libido depende disso".

Outra coisa importante: não é porque está casado há 20 anos que precisa ficar em casa descabelado, de pijama rasgado e chinelos velhos e com cheiro de alho depois de terminar o jantar (seja homem ou mulher). Mais uma vez, a parte que controla a libido é sensorial, lembre-se sempre disso. A gente tem que ser atraente para o outro: com cheiro bom, um beijo aqui, um toque ali, uma lingerie que ative o olhar… Isso tudo vai ativando o cérebro. E converse sobre isso. Como casal, é importante que os dois tenham consciência que vai ser preciso um empenho para a coisa acontecer. Não é como quando você tinha 20 anos, que só de olhar o parceiro já dava aquele desejo incontrolável!

9. Conheça seu corpo

"O homem tem muito mais hábito de se masturbar. Para muitas mulheres, isso é um tabu", diz Soraia. "Tenho pacientes que jamais tiveram orgasmo porque sequer conhecem seu corpo". Criar o hábito da masturbação pode ajudar muito as mulheres a entender o que as excita mais, além de "acordar" o cérebro para o prazer. Quanto mais a gente sente prazer, mais o cérebro vai querer repetir a experiência. Então se a coisa anda meio sem sal com o casal ou mesmo se você está solteira, faça um bem a você mesma: compre um vibrador, gel lubrificante, e arrume um tempo para experimentar sentir prazer sozinha. Explore e conheça seu corpo.

Como se vê, não existe uma única solução, é um conjunto de coisas que podem ajudar. E converse sobre isso, procure ajuda profissional se for preciso. Como casal, é importante que os dois tenham consciência que vai ser preciso um empenho para a coisa acontecer. Não é como quando você tinha 20 anos, que só de ver um potencial parceiro numa festa já dava aquele desejo incontrolável. Mas nem por isso sexo perde a importância na nossa vida ou deixa de ser bom quando ficamos mais velhos. Ao contrário, pode ser a melhor parte dela.

Sobre Autora

Silvia Ruiz é jornalista e trabalha com comunicação digital e PR. Durante mais de 15 anos atuou na cobertura de saúde, bem-estar e estilo de vida. É apaixonada por alimentação natural, meditação e práticas holísticas. Mãe do Tom, do Gabriel e da Myra, tem bem mais de 40 anos e está tentando aprender a viver bem na própria pele em qualquer idade.

Sobre o blog

O que é envelhecer hoje? Este é um espaço com informações para a geração que tem mais de 40 e não abre mão de viver uma vida plena e, principalmente, saudável, independentemente da idade. Aqui não falamos em “anti-aging”, e, sim, em “healthy aging”. Dicas de alimentação, beleza, atividade física, carreira e estilo de vida para quem busca ser “ageless”.