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Esqueça o anti-aging; o que importa hoje é o envelhecimento saudável

Silvia Ruiz

10/09/2018 04h00

Crédito: Arquivo pessoal

As duas mulheres das fotos em preto e branco são minhas duas avós na mesma idade que eu tenho hoje na foto da direita. Foi pensando sobre elas e refletindo sobre o que havia mudado na perspectiva das mulheres de mais de 40 anos do final dos anos 60 para cá, que surgiu a ideia desta coluna. Depois de "casarem" os filhos, a vida delas era mais ou menos a mesma: cuidar da casa, curtir os netos, preparar um almoço feito em casa para receber a família aos domingos. Basicamente isso.

O fato hoje é que envelhecer está mudando radicalmente. Sim, envelhecer, a palavra que não gostamos de mencionar. Acontece que é esse o nome do que vivemos (mais visivelmente) após os 40. E por aqui vamos falar disso. Sem medo, sem tabu. Mas não do envelhecimento das minhas avós. E, sim, do meu e de milhares de mulheres e homens que vivem este momento em outros termos.

A partir de uma vida com energia, movimento, amores, trabalho, beleza. Hoje queremos muito mais. Queremos mudar de carreira depois dos 40, aprender a tocar um instrumento, pintar o cabelo de rosa (ou deixa-lo natural, todo branco), praticar power yoga, assistir maratona de Game of Thrones, passar a noite de sábado tomando drinks no novo bar da cidade, encontrar um romance casual no Tinder. E, até (por que não?) cozinhar o bom e velho almocinho para filhos ou netos no domingão.

Mas o que seria esse "novo envelhecimento"? Para começar, vamos a alguns princípios básicos. Por aqui não vamos jamais falar em "anti-aging". Mas em healthy aging. Nada de creme anti-idade, tratamento anti-aging, dieta anti-aging.

Aprendi sobre isso num papo com a Vânia Assaly, endocrinologista e nutróloga e uma das maiores especialistas em medicina preventiva do país. "Não existe anti-aging. A gente começa a envelhecer quando nasce. O que nós falamos hoje é em envelhecimento ativo", diz a médica.

O que temos hoje é todo um aparato tecnológico e científico para a gente ser o melhor possível mesmo envelhecendo. E há muito o que fazer. "O fim da idade reprodutiva não significa o fim da idade produtiva, como acontecia no passado. Hoje as pessoas querem envelhecer com performance. Não apenas com saúde. As pessoas não querem ter perdas funcionais", diz Vânia.

Os cientistas inclusive já falam não mais em idade biológica, mas em idade epigenética. O que isso quer dizer? Que é possível que sua data de nascimento não seja seu maior indicador de saúde e de envelhecimento. A epigenética estuda como diferentes sinais biológicos e ambientais afetam a expressão gênica. Em vez de mudar o próprio DNA, os sinais epigenéticos podem, por exemplo, provocar alterações em um gene, "ligando-o" ou "desligando-o". Aquele gene herdado de seus pais que provoca obesidade, por exemplo, pode ser "silenciado" com estratégias no seu estilo de vida. Não é um destino inevitável.

Portanto, sim, você tem muito a interferir no seu envelhecimento positivamente. A sua idade epigenética pode ser definida por você. Como? Por meio do que comemos, como nos movemos, dormimos, fazemos sexo e até mesmo como amamos e nos relacionamos interferem na expressão dos genes. A partir de agora, lembre-se de que tudo que você estiver fazendo hoje pode determinar o que você vai ser amanhã. Isso não significa não envelhecer. Quer dizer ser o melhor que você pode, quer dizer viver com a máxima potência. Velha era a sua avó: você pode ser Ageless!

Sobre Autora

Silvia Ruiz é jornalista e trabalha com comunicação digital e PR. Durante mais de 15 anos atuou na cobertura de saúde, bem-estar e estilo de vida. É apaixonada por alimentação natural, meditação e práticas holísticas. Mãe do Tom, do Gabriel e da Myra, tem bem mais de 40 anos e está tentando aprender a viver bem na própria pele em qualquer idade.

Sobre o blog

O que é envelhecer hoje? Este é um espaço com informações para a geração que tem mais de 40 e não abre mão de viver uma vida plena e, principalmente, saudável, independentemente da idade. Aqui não falamos em “anti-aging”, e, sim, em “healthy aging”. Dicas de alimentação, beleza, atividade física, carreira e estilo de vida para quem busca ser “ageless”.